segunda-feira, 13 de maio de 2013

Hemograma


Por que fazer este exame?

Para triagem e monitoração de muitos distúrbios, por exemplo, anemia.

Quando fazer este exame?

Como parte de uma avaliação clínica de rotina ou quando pedido pelo médico.

Amostra:

Uma amostra de sangue obtida de uma veia do braço ou de uma picada em um dedo ou calcanhar (recém-nascidos).

É necessária alguma preparação?

Nenhuma

A amostra

O que está sendo pesquisado?

O hemograma é uma avaliação automatizada das células do sangue. Este exame inclui: 
Contagem de leucócitos 
Contagem de hemácias 
Hemoglobina 
Hematócrito 
Volume globular médio (VGM), também chamado Volume Corpuscular Médio (VCM) 
Hemoglobina globular média (HGM, ou HCM) 
Concentração de hemoglobina globular média (CHGM, ou CHCM) 
Contagem de plaquetas 

Os resultados do hemograma fornecem informações sobre os números de células e também sobre o tamanho, a forma e algumas características das células. Além disso, pode ser necessário pedir uma contagem diferencial de leucócitos, que identifica diferentes tipos de leucócitos. No Brasil, a maioria dos laboratórios só realiza a contagem diferencial manual quando julga necessário fazê-la ou quando o médico a solicita. Nos demais casos, os laboratórios indicam a contagem automatizada, que diferencia os tipos principais de leucócitos.

Anormalidades de um ou mais tipos de células podem precisar de confirmação visual pela observação, ao microscópio, de um esfregaço de sangue. Neste exame, uma gota de sangue é espalhada sobre uma lâmina de vidro, secada e corada com corantes especiais. Um especialista em laboratório avalia, então, ao microscópio as características das células. As informações adicionais são anotadas e relatadas ao médico.

O sangue é formado por células suspensas em um líquido, chamado plasma. As células, hemácias, leucócitos e plaquetas são produzidas principalmente na medula óssea e, em condições normais, liberadas para a circulação na medida do necessário.


Leucócitos

Há cinco tipos diferentes de leucócitos que o corpo usa para manter-se saudável e combater infecções e outras causas de lesão. São os neutrófilos, os linfócitos, os basófilos, os eosinófilos e os monócitos. Suas quantidades no sangue são relativamente estáveis, mas podem variar para mais e para menos dependendo do que ocorre no corpo. Por exemplo, uma infecção pode aumentar o número de neutrófilos, que combatem as bactérias. Quando há uma alergia, pode haver aumento do número de eosinófilos, que liberam substâncias (anti-histamínicos) que diminuem os efeitos da alergia. Linfócitos podem ser estimulados para produzirem imunoglobulinas (anticorpos). Em algumas leucemias, há proliferação de leucócitos imaturos (blastos), aumentando a contagem de leucócitos.



Hemácias

Hemácias são discos vermelhos pálidos, mais finos no centro do que na periferia. Elas contêm hemoglobina, a proteína que transporta oxigênio no sangue. O hemograma mostra se há hemácias suficientes no sangue e se elas têm características normais. Hemácias normais apresentam o mesmo tamanho e forma. Entretanto, podem ocorrer variações quando há anemia por deficiência de folato ou de vitamina B12, deficiência de ferro ou muitos outros problemas. Se o número de hemácias estiver reduzido, o paciente tem anemia e pode apresentar sintomas como fadiga e fraqueza. Com menor frequência, pode haver excesso de hemácias no sangue (eritrocitose ou policitemia), o que, em casos extremos, prejudica o fluxo de sangue nos vasos sanguíneos. 


Plaquetas

Plaquetas são fragmentos de células e têm um papel importante na coagulação do sangue. Quando seu número diminui, há um risco maior de sangramento excessivo e de equimoses. O hemograma mede o número e o tamanho das plaquetas no sangue. Em alguns casos, pode haver plaquetas gigantes ou grumos (aglomerações) de plaquetas que dificultam as medidas do aparelho, e será necessário fazer o exame do esfregaço de sangue.

Como a amostra é obtida para o exame?

O hemograma é feito com uma amostra de sangue obtida de uma veia do braço com uma agulha. Em alguns casos, o laboratório pode obter ainda um pouco de sangue com uma picada no dedo para fazer imediatamente uma lâmina (chamada de "ponta-de-dedo").

É necessário algum preparo para garantir a qualidade da amostra?

Nenhuma preparação é necessária.











quinta-feira, 2 de maio de 2013

Significado do Sumário de Urina


O que significa o resultado do exame?

A urinálise é um excelente exame de triagem porque é de execução relativamente simples e fornece indicações de muitos distúrbios possíveis. Por outro lado, resultados normais não excluem doenças. As anormalidades na urina podem não ocorrer no início da doença, ou aparecer esporadicamente, não sendo percebidas em uma amostra específica de urina. 

  • Exame visual 

Avalia a cor e a transparência da urina. 

A urina normal tem tonalidades variadas de amarelo. Cores incomuns podem ser causadas por doenças, medicamentos e alimentos. Por exemplo, beterraba pode torná-la avermelhada, que precisa ser distinguida da cor que é resultado da presença de sangue, que é sempre anormal. 

A urina em geral é transparente, mas pode ficar turva pela presença de cristais, muco ou esperma, que geralmente não indicam doença, ou por contaminantes, como loções ou talcos. Por outro lado, a turvação da urina por leucócitos, hemácias ou bactérias sempre exige investigação.

  • Exame químico 

A maioria dos laboratórios usa tiras reagentes para o exame químico da urina. São feitas de plástico com pequenos pedaços de papel embebidos em reagentes químicos que mudam de cor quando imersos na urina. Essa alteração é comparada com uma escala de cor fornecida para cada área de reação. Para evitar erros de tempo e de avaliação da cor, com frequência são usados aparelhos automáticos de leitura de tiras. A intensidade da cor final fornece uma medida aproximada da quantidade de substância presente na urina. Por exemplo, uma pequena alteração na área de proteína indica uma pequena quantidade de proteína na urina, e uma cor intensa indica uma grande quantidade. 

Os testes químicos usados com frequência em tiras reagentes são: 

Densidade 

A densidade expressa a quantidade total de substâncias dissolvidas na urina, em comparação com a água pura, que não tem substâncias diluídas e tem uma densidade igual a 1,000 g/cm3 a 25 ºC.. 

Não existem valores anormais da densidade da urina. Os comuns variam de 1010 a 1020, mas podem ser observados valores até 1003 e 1030, dependendo do grau de hidratação da pessoa. Densidades baixas indicam hidratação excessiva, e altas indicam desidratação. 

pH 

O pH mede o grau de acidez ou de alcalinidade de uma solução. O pH da urina depende da quantidade de ácidos e bases na alimentação e do estado do equilíbrio ácido-base do corpo. Não há valores anormais de pH urinário. Em geral ela é um pouco ácida (pH de 5,0 a 6,0), mas, dependendo principalmente da alimentação, os valores podem variar bastante (de 4,5 a 8,0). 

Algumas substâncias dissolvidas na urina se precipitam formando cristais quando ela está ácida. Outras se precipitam quando a urina está alcalina. Se a formação de cristais for intensa, podem surgir cálculos que causam obstrução do fluxo de urina. A formação desses cálculos é reduzida com dietas ou medicamentos que modificam o pH da urina, de acordo com o tipo de cristal formado. 

Proteínas 

As tiras reagentes avaliam a quantidade de albumina na urina. Normalmente, essa quantidade não pode ser detectada por esse método. Quando a tira reagente fornece um resultado positivo (expresso em cruzes, de um a quatro), há excesso de albumina, que pode ser um sinal precoce de doença renal ou de outros distúrbios que precisam ser esclarecidos com outros exames. 

É usado outro método para fazer uma avaliação quantitativa das proteínas na urina, incluindo todas as proteínas presentes. 

Glicose 

Normalmente, não há glicose na urina. Os rins não a excretam glicose, a não ser que a quantidade no sangue ultrapasse um valor determinado (limiar de excreção da glicose). A presença de glicose na urina, chamada glicosúria, ocorre quando ela existe em excesso no sangue, como no diabetes melito, ou quando há diminuição do limiar de excreção. São necessários outros exames para determinar a causa de glicosúria. 

Cetonas 

Cetonas não são encontradas normalmente na urina. São produtos do metabolismo de gorduras e podem aparecer quando a pessoa não ingere quantidades adequadas de carboidratos, por falta de alimentos ou em dietas, ou quando os carboidratos não são usados adequadamente pelo corpo, como no diabetes melito. A excreção de cetonas na urina é chamada cetonúria. 

Hemoglobina (hemácias) 

Esse exame é usado para detectar hemoglobina (hemoglobinúria) ou hemácias na urina (hematúria). Normalmente, pode ser encontrado um pequeno número de hemácias na urina, e o exame com a tira reagente é negativo. Hematúria ocorre por irritação ou traumatismo do trato urinário. Hemoglobinúria ocorre quando há destruição de hemácias na urina ou destruição de hemácias no sangue (hemólise intravascular). A reação é positiva também quando há excreção de mioglobina na urina (mioglobinúria), o que pode ocorrer quando há destruição de tecido muscular. 

Esterase leucocitária 

A esterase é uma enzima presente em leucócitos. Um número aumentado de leucócitos na urina indica inflamação das vias urinárias, em geral resultado de infecção bacteriana. 

Nitrito 

Muitas das bactérias que causam infecções urinárias produzem nitrito. Um exame positivo sugere infecção urinária. Entretanto, nem todas as bactérias que produzem infecções urinárias produzem nitrito, e um teste negativo não exclui infecção urinária. 

Bilirrubina 

A presença de bilirrubina na urina indica doença hepática ou obstrução das vias biliares. Esse exame pode ser positivo antes que seja observada icterícia na pessoa. 

Urobilinogênio 

O urobilinogênio está presente na urina em pequenas quantidades. Um aumento ocorre em doenças hepáticas ou quando há destruição de hemácias (anemia hemolítica). 

Algumas tiras também têm uma área para o ácido ascórbico (vitamina C). 


  • Exame microscópico 
Um volume de urina (cerca de 10 mL) é centrifugado e o sedimento obtido é examinado ao microscópio. A quantidade dos elementos observados é expressa como um número por campo microscópico ou com termos como raros, numerosos etc. 

Hemácias 

Na urina normal pode ser encontrado um pequeno número de hemácias. Aumenta quando há inflamação ou lesão dos rins ou das vias urinárias. A coleta inadequada pode contaminar a urina com sangue menstrual ou das hemorroidas. 

Leucócitos 

É normal achar um pequeno número de leucócitos no sedimento urinário. Números aumentados indicam inflamação das vias urinárias, em geral provocada por infecção. 

Células epiteliais 

Algumas células epiteliais da uretra e da bexiga são encontradas normalmente na urina. São menos comuns células renais. Quando há inflamação ou infecção das vias urinárias, o número de células aumenta, e a altura da lesão pode ser determinada pelo tipo de célula predominante. 

Bactérias e leveduras 

Em pessoas saudáveis, a urina é estéril; não são observados micro-organismos no sedimento urinário. Bactérias da pele circundante podem penetrar na uretra e causar uma infecção urinária, que, se não for tratada, pode se expandir até os rins, provocando uma pielonefrite. Deve ser feita cultura de urina sempre que houver suspeita de infecção. 

Leveduras também podem ser encontradas na urina, especialmente em mulheres com infecção vaginal por fungos. As infecções urinárias por leveduras devem ser tratadas. 

Tricômonas 

Tricômonas são parasitas encontrados na urina, especialmente de mulheres. Como as leveduras, em geral a infecção principal é vaginal (Trichomonas vaginalis), que precisa ser investigada e tratada. 

Cilindros 

Cilindros são partículas de proteína coagulada que se formam nos túbulos renais, onde adotam sua forma característica. Um pequeno número de cilindros hialinos é normal. Números maiores sugerem doenças renais. 

Quando há um distúrbio renal, leucócitos ou hemácias podem ser incluídos na proteína que forma o cilindro, e este passa a se chamar cilindro leucocitário ou cilindro hemático. Diferentes tipos de cilindros estão associados a doenças renais diferentes. O tipo encontrado sugere um diagnóstico específico. Por exemplo, cilindros leucocitários indicam pielonefrite, e cilindros hemáticos indicam glomerulonefrite. 

Outros tipos de cilindros incluem cilindros hialinos, granulosos, cilindros gordurosos e cilindros céreos. 


Cristais 

A urina contém muitas substâncias dissolvidas. Dependendo da concentração da substância, do pH e da temperatura da urina, podem se formar cristais que são observados no exame microscópico. Os cristais podem ser partículas sem forma definida (amorfos) ou com formas geométricas que permitem sua identificação. Alguns cristais comuns na urina normal são: 

uratos amorfos 

cristais de ácido úrico 

oxalato de cálcio 

fosfatos amorfos 

carbonato de cálcio 

Outros cristais são considerados anormais porque são formados por substâncias que não costumam estar presentes na urina normal, e indicam processos metabólicos alterados, como cristais de: 

cistina 

tirosina 

leucina 

Quando existem cristais nos rins, eles se agrupam e formam cálculos, que obstruem os cálices renais ou os ureteres e provocam dor intensa. 

Medicamentos, como sulfas e contrastes radiológicos também podem se cristalizar na urina, sendo identificados na microscopia. 

Há mais alguma coisa que eu devo saber? 

O conjunto de exames da urinálise fornece uma avaliação geral de alguns distúrbios. São necessários outros exames para detalhar o diagnóstico. 

A hora é um fator importante na colheita de urina? 

Como a urinálise é um exame geral de triagem, a hora da coleta não é importante, embora a primeira urina da manhã seja preferida porque é mais concentrada. Em alguns casos, o médico pode pedir a coleta em uma hora específica. Por exemplo, para a pesquisa de glicose na urina após uma refeição. 

A urinálise pode ser feita em casa? 

O exame microscópico exige equipamento e habilidades especiais. O exame visual pode ser feito pela própria pessoa. O químico é realizado com tiras reagentes adquiridas em farmácias e usadas de acordo com as instruções fornecidas.

Sumário de Urina, Urinálise, EAS.



Por que fazer este exame?

Para pesquisar distúrbios renais, metabólicos e infecções urinárias

Quando fazer este exame?

Como um exame de rotina ou quando há sintomas de infecção urinária; como parte da avaliação na gravidez ou no pré-operatório.



Amostra:

Cerca de 20 mililitros de urina. A primeira amostra da manhã é mais útil.

É necessária alguma preparação?

Nenhuma.

Na amostra

O que está sendo pesquisado?

A urinálise é um grupo de exames químicos e microscópicos. Detecta produtos normais e anormais do metabolismo, células, fragmentos de células e bactérias na urina. Os rins filtram o sangue, eliminando na urina restos metabólicos desnecessários, como ureia e creatinina, e conservando substâncias necessárias e reaproveitáveis, como proteínas e glicose. Alterações da composição da urina podem indicar problemas metabólicos ou problemas renais.

Muitos distúrbios afetam a composição da urina, principalmente aumentando a quantidade de substâncias, como proteínas, glicose ou bilirrubina, e células, como leucócitos e hemácias. Concentrações aumentadas de componentes que não são encontrados normalmente em quantidade significativa na urina podem ocorrer porque:
A quantidade no sangue está aumentada, e os rins estão eliminando o excesso.
A função renal está comprometida por uma doença.
Há uma infecção urinária, no caso de bactérias e leucócitos em excesso na urina.

A urinálise inclui três fases:

Exame visual, que avalia a cor e a transparência da urina;
Exame químico, que avalia 10 componentes da urina que podem estar alterados;
Exame microscópico, que identifica e determina a quantidade e o tipo de células, bactérias, cristais e outros componentes que podem ocorrer na urina.

As duas primeiras fases podem ser feitas no consultório médico. A terceira é feita no laboratório.

Como a amostra é obtida para o exame?

A amostra de urina para urinálise pode ser colhida em qualquer momento. A primeira amostra de urina da manhã é considerada melhor porque a urina está mais concentrada e tem maior probabilidade de mostrar anormalidades.

É importante lavar a genitália antes de colher a urina porque esta pode ser contaminada por bactérias e por células da pele que circunda a uretra, e interferir nos resultados. Mulheres devem afastar os lábios da vulva e limpar a saída da uretra com movimentos da frente para trás, evitando a contaminação da urina com materiais e células da pele ou da vagina. Homens devem limpar a ponta do pênis. Quando iniciar a micção, deve ser desprezado um pouco de urina para dentro do vaso sanitário. O jato seguinte deve ser usado para encher o frasco de coleta. Feito isso, continuar a micção no vaso até ela terminar. Esse tipo de coleta é chamado urina de coleta de “jato médio”.

A urina colhida deve ser examinada logo. Se for necessária uma hora ou mais para o transporte até o laboratório, a amostra deve ser refrigerada ou adicionado um conservante.

É necessário algum preparo para garantir a qualidade da amostra?

Nenhuma preparação é necessária, mas as instruções de colheita devem ser obedecidas como descrito acima.

Como o exame é usado?

A urinálise é usada como um recurso de triagem ou de diagnóstico porque detecta anormalidades de substâncias e de células associadas a distúrbios renais ou metabólicos e infecções urinárias. Pode ser pedida também em intervalos, para acompanhar a evolução de um problema antes e após o tratamento.

Quando o exame é pedido?

A urinálise pode ser pedida como um exame de rotina antes de uma internação, de uma cirurgia ou durante a gravidez. É pedida sempre quando há sinais e sintomas de infecção urinária ou de doença renal. Alguns desses sinais:
Dor abdominal.
Dor nas costas.
Micção frequente ou dolorosa.
Sangue na urina.